Anceriz - " O Solar Beirão" na Serra do Açor     
 
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Como escrever: Anseriz ou Anceriz ?

O nome Anceriz encontra-se escrito nas seguintes formas gráficas: AUXARIS; ANSERIZ; ANSERIS; ANÇARIS; ANSERYS; ANCERIZ. O nome que parece ser mais correcto é Anseriz. Qual teria sido a sua origem ? Existem três hipóteses que tentam explicar esse nome. Uma, afirma que esta povoação já existia antes dos romanos, mas que foram eles que deram o nome de Anseriz devido à abundância de "Anseres" (patos, gansos) nestes montes do Açor. Outra versão é que esta povoação com as suas terras, foram dadas a um filho de um romano que se chamava "Anser" e por isso chamou-se Anserici. Anser-eris era o nome de um poeta latino e um nome usual entre os romanos.
A terceira versão, que parece ser a mais correcta, é aquela que o Padre Augusto Nunes Pereira descreve: "Deve ser nome de pessoa, possivelmente o nome visigótico (séculos V - VI) Anserico, a origem da terra".
Anseriz como freguesia é única em Portugal. Como povoação, encontram-se no País mais duas:

- Anseriz, também Ançariz, que é lugar da paróquia de Escudeiros, concelho de Braga;

- Anseriz, também Ançariz, lugar situado na freguesia de Mouquim, concelho de Vila Nova de Famalicão.

 

Toponímia das Ruas

Rua Junta de Freguesia : fica na rua principal e representa o povo simples, trabalhador e crente, em que estão incluídos todos os filhos desta Terra. No futuro livro da Junta de Freguesia, com a Toponímia de Anceriz, ficarão registados todos os nomes dos Presidentes de Junta do último século, que dignamente representaram toda a Freguesia e por ela fizeram o melhor que puderam.

Rua Liga de Melhoramentos de Anceriz: situa-se na nova estrada Anceriz-Pomares, começando no largo de Santo António e indo até ao Casal dos Olivais.Com este nome prestou-se uma homenagem aos fundadores desta colectividade regionalista, fundada em Lisboa a 4 de Junho de 1933, e a todos os seus dirigentes e sócios do passado e do presente.

Rua dos Combatentes: encontra-se junto à Igreja, em frente da antiga residência paroquial e no local denominado "Alpendre". Não se podiam esquecer todos os Ancerizenses que serviram a Pátria e em especial os que combateram na Primeira Guerra Mundial, em França e mais tarde nas Ilhas e antigas Colónias Portuguesas. Na Junta de Freguesia ficarão registados os nomes destes heróis.

Largo São Sebastião: no Outeiro, cuja capela foi demolida no início do século XX, encontrando-se a imagem do São Sebastião na Igreja Matriz. A frontaria desta capela, pode apreciar-se ainda na Fonte do Meio, que recentemente foi restaurada e embelezada.

Rua Senhora de ao Pá da Cruz ( Antiga Via Romana ): caminho que liga Anceriz à vila de Avô, que foi a via romana que ligava a antiga cidade, onde hoje se situa Bobadela , a Conimbriga, pela margem esquerda do rio Alva. Neste caminho encontra-se a ermida da Padroeira de Anceriz, que foi e é lugar de muita devoção popular.

Largo da Quintã: no meio da povoação, à direita de quem sobe e na direcção da Fonte do Meio. Aqui viveram famílias nobres. A palavra "quintã", vem da Idade Média e significava um grande quintal, onde as pessoas nobres tinham os seus mimos agrícolas. No antigo solar, junto a este largo, havia mesmo uma janela manuelina, que se encontra agora na residência do Sr. Eng. Madeira Lobo.

Largo de Santo António: onde fica a capela do Santo, cuja construção data do século XVIII. O povo sempre dedicou grande devoção a este lugar e todos os anos, pela festa deste Santo Popular, aqui se juntavam as pessoas e no final da missa era benzido o pão e a feijoada, que depois se distribuiam por todos.

Largo do Forno da Poia: fica no caminho da Fonte do Meio, em frente da casa do Sr.Jorge. Este lugar lembra o "forno público" que aqui havia e era propriedade da Junta, donde lhe vinha a principal fonte de receita. Foi destruído após a implantação da República.

Largo das Eiras: Lugar aprazível e de belas paisagens sobre o vale do Alva, onde se malhavam os cereais, se secava o milho e os feijões e onde se faziam os grandes bailes populares. Hoje é o lugar das Festas.

Caminho Santo Ildefonso: vai do cimo do Povo até à Rigueira e às fazendas que têm este nome. Recorda que houve ali um lugar, povoada até ao século passado e uma capela, cuja imagem se encontra hoje na sacristia da Igreja.

Rua D. Afonso Gaspar: vai da Igreja à Fonte de Baixo. Foi o Ancerizense mais ilustre, que era filho da família nobre, Aleixo da Fonseca Afonso e de D. Cecília Madeira Costa. Formou-se em Coimbra na ordem dos Jesuítas, foi para a Índia, onde foi nomeado Reitor do Seminário de Goa e mais tarde Bispo. Foi baptizado em Anceriz a 29 de Outubro de 1926.

Rua Bacharel Joaquim Gouveia Pinto:vai do ramal da estrada do cemitério, até ao Outeiro ( direcção da Igreja).Este ilustre Ancerizense formou-se em Coimbra e veio a casar com uma filha das famílias mais célebres de Ponte de Lima. Foi corregedor no século XIX em Portalegre e escritor. Foi-lhe atribuído um brasão.

Largo José Madeira Lobo: fica em frente da Igreja. Era uma figura nobre, culta, bondosa e respeitadora, a quem o povo de Anceriz muito deve. Era descendente duma das famílias nobres das nossas Beiras e da família do nosso Bispo Missionário, D. Afonso Gaspar.

Rua Cristiano Alves Pais: vai do Largo José Madeira Lobo até ao Outeiro. Homem que passou pelo Colégio do Piódão, foi para o Brasil onde se casou e regressou a Anceriz, terra que amou e a que se dedicou de alma e coração. Seguindo a veia do pai, era músico e compositor. O povo não esquece as construções do novo cemitério, da nova escola ao Jogo da Bola, além de outros melhoramentos, que a ele se devem.

Rua António Alves: situa-se numa travessa, junto à casa onde viveu. Foi funcionário público e grande músico. Foi um dos fundadores da Filarmónica de Vila Cova do Alva em 1918 e regente da mesma, assim como também da Filarmónica de Avô. Anceriz, segundo o jornal de Oliveira de Hospital, tinha uma célebre Tuna de Pífaros e pensamos, que o seu fundador e maestro devia ter sido o Sr. António Alves.

Rua Dr. José Alves Pais: começa no Largo de Santo António e vai até ao cimo da povoação. Era filho de António Alves e foi notário em Arganil, Góis e Figueira da Foz. Amou, defendeu e lutou pela sua terra, vindo aqui passar os últimos dias da sua vida, apesar da bela residência que tinha em Pomares.

Rua José Alves das Neves: vai do cruzamento do Jogo da Bola até ao Largo de Santo António.. Era um monárquico convicto, que sofreu muito após a implantação da República e que esteve sempre ao lado do povo, da Liga de Melhoramentos que ajudou a fundar, da Igreja e foi um dos fundadores da Irmandade de Nossa Senhora de ao Pá da Cruz, em 1912.

Rua Dr. Barradas de Oliveira: Fica na travessa da rua principal e ao lado da sua residência. O seu verdadeiro nome é Manuel Gomes de Oliveira. Formou-se em Lisboa, foi escritor, jornalista ( redactor do jornal lisboeta "Diário da Manhã") , comentador da Rádio Televisão Portuguesa e Director Geral da Caixa Geral de Depósitos. Era neto de António Lopes Gomes, da Quinta da Salinha, e filho de José Lopes Gomes, um dos grandes impulsionadores da Liga de Melhoramentos, que trabalhava numa livraria da capital. O Dr. Barradas de Oliveira fez parte dos órgãos directivos da Liga de Melhoramentos e apesar das suas actividades, sempre que podia vinha a Anceriz. Antes de morrer, numa das suas últimas visitas a Anceriz, passou por Arganil e mostrou interesse em deixar os seus livros à Biblioteca de Arganil.

Rua Adelino Campos Abranches: situa-se no velho caminho das Eiras.Este nosso conterrâneo foi um grande industrial de moagens em Vendas Novas, actividade continuada pelos seus descendentes. Amava Anceriz, onde passava grande parte do tempo com a família. Além de ofertas para melhoramentos da Igreja, foi um dos grandes obreiros para que a povoação tivesse água suficiente ao domicílio.

Rua Padre Manuel Peixoto: vai do Largo da Quintã e é perpendicular à rua da Fonte do Meio. Formou-se em Teologia no Seminário de Coimbra e foi pároco e arcipreste durante muitos anos na Lousã. Vinha passar as suas férias a este sua Terra e tudo fez para que a Igreja Matriz fosse restaurada. Seu pai, Joaquim Peixoto, muito trabalhou por Anceriz, chegando mesmo a ser Presidente da Junta.

Rua António Antunes: começa no Largo da Quintã e vai até ao caminho da Relva, passando pela Fonte do Meio. Foi um modesto, mas muito apreciado funcionário dum Ministério em Lisboa, que pela sua amabilidade, diplomacia e contactos, muito ajudou a concretizar certos projectos da Liga de Melhoramentos para Anceriz. Fez parte durante muitos anos dos Corpos Directivos da Liga.

Rua Dialino Pereira da Gama: sai da rua principal, em frente do Passadiço e vai até à estrada. Era filho duma abastada família de Anceriz, com ligações familiares à Sorgaçosa, Pomares. Em Lisboa foi um fiel servidor da Liga de Melhoramentos. Ao regressar a Anceriz continuou sempre ao lado da Liga de Melhoramentos, pugnando pelo bem-estar da sua aldeia natal.

Rua José Cândido: situa-se na travessa junto ao antigo lagar de azeite. Foi comerciante em Lisboa e dirigente da Liga de Melhoramentos. Ao vir para Anceriz dedicou-se à agricultura, continuando ligado à Liga de Melhoramentos, fazendo parte da Direcção. Ajudou a construir a Casa Mortuária e o Salão Paroquial e foi Juiz da Irmandade durante muitos anos. Graciosamente cedeu o terreno para a descarga dos esgotos em Anceriz.

O Canto do Sapateiro, António Peixoto e do Barbeiro, João Pinto Madeira, no Passadiço: Fica quase no cimo da rua principal, à direita de quem sobe. Eram dois Ancerizenses amáveis, que nas suas humildes profissões serviram a povoação com carinho. O António Peixoto teve a coragem de sair de Anceriz rumo à Figueira da Foz para poder dar um curso à sua filha. Depois regressou ao torrão natal, dedicando-se à agricultura, chegando mesmo a ser Presidente da Junta antes e após o 25 de Abril de 1974.

Travessa da Fonte de Baixo - O CANTO: Este local onde viviam famílias simpáticas e havia um forno público, foi sempre apreciado pelas pessoas.

Padre Januário Lourenço dos Santos: Lápide à entrada do Adro da Igreja, como gratidão do povo, a quem serviu durante mais de meio século com carinho, dedicação e pobreza.