Anceriz - " O Solar Beirão" na Serra do Açor     
 
    História - Famílias Ilustres  

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Um dos períodos áureos da história de Anceriz foram os séculos XVII e XVIII. O Casal mais ilustre, que esta Freguesia teve até hoje foi o de Aleixo da Fonseca Afonso e D. Cecília Madeira Costa. Ele era filho de Manuel Dias e de Maria Afonso. Ela era filha de Gaspar Dias da Costa e neta de Fernão Gil da Costa, este natural de Arganil e que casou em Vila Cova do Alva com D. Maria Madeira Arrais.

O casamento de Aleixo e Cecília teve lugar na freguesia de Avô, " a uma quarta-feira, 16 de Agosto de 1623, com grande aparato, partindo os noivos em seguida para Anceriz, onde ficaram a residir." Tiveram oito filhos, quatro rapazes e quatro raparigas. Destes, o mais ilustre foi Gaspar Afonso, que foi baptizado na Igreja de Anceriz a 29 de Outubro de 1626. Entrou na Companhia de Jesus e ordenou-se em Coimbra em 1641. Em 1647 partiu para a Índia, como missionário. Em 1689 o Papa Inocêncio XII nomeia-o Bispo de São Tomé de Meliapor, sendo consagrado em Goa a 2 de Agosto de 1693. Em Junho entrou na sua Diocese, onde com dignidade viveu santamente, morrendo a 24 de Novembro de 1708, com 82 anos de idade.

Todos os seus irmãos e irmãs foram homens de letras e casaram com as famílias mais ilustres da região.

É bom de notar que a mãe e a mulher do poeta Brás Garcia Mascarenhas, de Avô, que escreveu o epopeia "Viriato Trágico", eram naturais de Anceriz.

O Bispo do Funchal D. Gaspar Afonso da Costa Brandão, que esteve nesta Diocese de 1757 a 1784 e que nasceu em Vila Cova do Alva, era neto de D. Maria Afonso da Costa, de Anceriz, casada com João Álvares Brandão, de Vila Cova.

Igualmente o Bispo de Pinhel e da Guarda, D. José António Pinto de Mendonça Arrais, nascido em Seia a 26 de Maio de 1746, era neto paterno de Agostinho Ribeiro Pinto, de Pomares e de Maria da Costa de Mendonça, de Anceriz.

Dr. Miguel Borges Tavares de Castro, nasceu em Anceriz em 1650, filho de João Borges Tavares, capitão de Ordenanças, e de D. Maria Madeira. O pai era de Galizes e a mãe era filha de António Nunes e de Maria Afonso. Foi Juiz de Fora de Mangualde, corregedor de Portalegre, corregedor em Pinhel, provedor em Miranda do Douro e em Viana, corregedor de Coimbra e desembargador da Relação do Porto.

Bacharel António Joaquim de Gouveia Pinto, nasceu em Anceriz a 14 de Junho de 1777 e era filho do Dr. Crisógono Nunes Castanheira e de D. Gregória de Jesus Esteves de Gouveia Pinto. Formou-se em Leis pela Universidade de Coimbra e foi Juiz de Fora em Coruche e Torres Vedras e Corregedor em Portalegre. Casou em Coimbra a 22 de Novembro de 1800 com D. Caetana Maria Tomásia Bezerra de Lima, filha duma ilustre família de Ponte de Lima. Escreveu muitos livros e foi-lhe concedido brasão, por sentença de 24 de Março de 1825. Faleceu no lugar de Mealhada, freguesia de Loures, em 10 de Outubro de 1853. Além das actividades públicas que exerceu, foi ainda sócio da Academia das Ciências e escritor. Da sua vasta obra literária destacamos:

- Opúsculo Gratulário ao ilustre el e ex.o sr. Marechal Beresford Lx.1812;
- Tratado Regular de Testamentos e Sucessões. Lx.1813(com seis edições, a última no Brasil, Rio de Janeiro em 1851);
- Resumo Cronológico de vários artigos de Legislação Pátria. Lx.1818.
- Manual de Apelação e Agravos . Lx. 1813, nova edição Rio de Janeiro 1846.
- Memória sobre o verdadeiro direito e prática das licitações nos Inventários. Lx.1819.
- Memória em que se mostra a origem e o estabelecimento do papel moeda no nosso reino. Lx.1820.
- Caracteres da Monarquia. Lx. 1824;
- Demonstração dos Direitos que competem ao Sr. D. Miguel sobre a sucessão da coroa de Portugal. Lx.1828;
- Compilação das Providências que a bem da criação e educação dos expostos e enjeitados que se tem e se acham espalhados em diferentes artigos de Legislação Pátria. Lx. 1821;
- Exame Crítico e Histórico sobre os Direitos estabelecidos pela Legislação Antiga e Moderna, tanto Pátria como subsidiária e das Nações mais vizinhas e cultas, relativamente aos expostos e enjeitados. Lx. 1828;
- Memória Estatística ou Catálogo Cronológico dos Escrivães de puridade e secretários de Rei ou Estados. Lx. 1832;
- Memória Estatística-Histórico-Militar, em que se dá notícia da Força Militar Terrestre, que nos primeiros tempos da Monarquia Portuguesa se chamava Hoste e que depois se veio a chamar Exército. Lx. 1832;
- Periódico para os bons Realistas, jornal histórico, político e noticioso. Lx.1828;
- Duas Sentenças proferidas no tempo da Guerra da Aclamação. Lx. 1833;
- Manifesto à Nação, contra o Corregedor da Comarca do Crato, Manuel Joaquim Barbosa. Lx. 1822;